Loanda
Mas, antes de subir com Cadornega o Cuanza, deixem-me acompanhá-lo numa das suas descrições de Luanda:
" Há muitos homens de negocio, huns que estão de assento e outros que fazem suas viagens, alguns delles de grosso cabedal, muita producção, e gente maritima que vem em navios ao trato do negocio das peças [escravos]; e se achão continuamente no porto desta cidade passante de vinte navios, huns possantes, artilhados, e outros de menor, todos mercantis; e se hum ano por outro, se despachão para as praças do Estado do Brazil, e outros portos, outo e dez mil cabeças de escravos, entre grandes e pequenos, que passam algumas por crias [crianças], de que se pagão os direitos aos officeaes reaes, para a fazenda de sua Alteza, de cada peca quatro mil reis ao subsidio para a satisfação do imposto do dote da Serenissima Senhora Rainha de Inglaterra [ D. Catarina de Bragança, filha de El-Rei D. João VI, que casou com Carlos II, Rei de Inglaterra, em 1662 ] e paz da Hollanda [ O tratado com a Holanda foi assinado em 6 de Agosto de 1661, entre El-Rey D. Afonso VI e os Estados Gerais. As despesas para pagamento do dote da Rainha e da contribuição a satisfazer à Holanda pela paz, foram rateados entre a metróple e as suas colónias, cabendo a Angola o encargo e que se refere o autor ], de que coube por repartição a estes reinos trezentos e sessenta mil cruzados, que com dito subsidio se vai satisfazendo; os direitos novos cobra o Senado da Camara por seu procurador do conselho, que neste tempo veyo ordem real para o cobrar o Feitor da Fazenda, e só lhe ficou a cobrança do subsidio por ser imposto do Senado da Camara ao povo para a a dita contribuição e satisfação; e com direito novo dos tres mil reis em cada peça se ajuda a pagar a infantaria, primeira plaina desta praça, fortaleza da conquista, e reino de Benguela, e ordinnarias ecclesiasticas, e o mais que se paga . "
