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01. Relatório de Janeiro 2009

 

  

Caros amigos,

 

O novo ano traz nova esperança.

 

As chuvas em Dezembro e início de Janeiro foram generosas e o parque apresentou-se com cores verdejantes (Foto 01). A chuva exigiu o máximo dos nossos talentos de condução, mas não evitámos alguns atascanços ocasionais.

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Tradicionalmente o final do ano é a época mais sensível em termos de caça furtiva, já que a procura de carne seca aumenta durante o período de festas do natal e ano novo. Contudo e talvez em resultado do incidente de caça furtiva que envolveu a polícia em Novembro, a situação permaneceu calma, particularmente no coração do parque.

 

Em relação às populações animais presentes, temo-las agora melhor monitorizadas que nunca. Temos agora sete câmaras ocultas digitais operacionais e estendemos a rede a algumas salinas recentemente descobertas, e que têm sido bastante utilizadas. Com mais de 5,000 novas fotos, tivemos muita nova informação para digerir (Foto 02).

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Uma parte significativa do registo fotográfico mostrou-nos os clientes mais fiéis tais como golungos (Foto 03) (incluindo "velhos amigos" como a fêmea zarolha – Foto 04), bambis (Foto 05) (incluindo a fêmea sarnenta – Foto 06), e claro, facocheros (Fotos 07, 08).

 

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Já relativamente às palancas negras gigantes na Cangandala, a situação parece não mostrar quaisquer melhorias, não sendo propriamente uma surpresa considerando a tendência recente. Contámos 3 fêmeas puras em três ocasiões diferentes, e todas elas adultas como esperado (Fotos 09, 10).

 

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Uma das fêmeas estava acompanhada pela jovem cria híbrida (Foto 11), até prova em contrário a única cria nascida em 2008.

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Os híbridos foram também bem identificados, e registámos sete indivíduos no total (Fotos 12, 13, 14, 15), incluindo os cinco mais jovens – dois machos nascidos em 2006, duas fêmeas nascidas em 2007 e a cria – e duas fêmeas híbridas adultas, aparentemente agora isoladas. Mesmo com uma amostra tão pequena, um rácio de 1:2 em termos de palancas puras/ híbridos é deprimente.

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À medida que a população de palancas negras definha, ironicamente, a população de palancas vermelhas parece agora explodir. Até à pouco conhecíamos apenas alguns indivíduos isolados. Inicialmente tínhamos apenas uma jovem fêmea e um macho aventureiro procriando com as palancas negras; mais recentemente mais uns indivíduos apareceram, machos e fêmeas, mas irregularmente e ainda isolados. Mas desta vez, e para além dos animais isolados, obtivemos uma manada completa de palancas vermelhas (Fotos 16, 17, 18, 19, 20). Contrastando marcadamente com a manada de palancas negras, esta manada parece ser um grupo muito saudável, com um macho dominante, algumas fêmeas adultas, várias jovens e três crias. Estes animais devem ter vindo de áreas vizinhas, adjacentes ao parque, e podem estar a preencher o vazio deixado pela ausência de palancas negras, ao mesmo tempo que beneficiam da protecção que asseguramos na área cerne do parque.

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Que desfecho frustrante: começámos com algumas palancas negras e quase nenhuma palanca vermelha, e estamos agora em vias de termos estas últimas a substituir completamente as primeiras na Cangandala. É como se o primeiro macho territorial de palanca vermelha tivesse actuado como o Cavalo de Tróia, introduzido na área vital da palanca negra gigante onde substituiu o macho original, e através do seu amor envenenado acabou por contaminar totalmente a manada de palancas negras que acabou estéril e indefesa, tendo chegado agora o momento certo para que os familiares da palanca vermelha avançassem e tomassem o território!

 

Claro está que não estamos preparados para desistir, e daremos o nosso melhor este ano para resolver a crise dos híbridos e conter um pequeno grupo reprodutor. Se houver alguma hipótese de sucesso contudo, isto terá de ser articulado com a Reserva do Luando, onde teremos de capturar um ou dois machos puros e novo sangue. É quase garantido que 2009 será o ano do tudo ou nada para a Cangandala, e os próximos meses poderão ser decisivos.

 

Cumprimentos,

 

Pedro