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 MALANJE - Terra Mítica



DEDICATÓRIA:
A MALANJE, que me criou e viu crescer;
À vóvó Chica, nossa mãe, nossa avó, figura abnegada e estóica, representativa da força e da coragem da mulher Malanjina;
A todos os Malanjinos, naturais, amigos, residentes e na diáspora;
Ao Povo Angolano. Povo heróico. Povo generoso.

HOMENAGEM:
Aos mártires da repressão colonial, cobardemente assassinados na Baixa de Cassanje, em Malanje, no dia 04 de Janeiro de1961.

 
MALANJE, terra bendita
Como tu não há igual,
És a Província mais bonita,
Desta Angola colossal

Tens o ar de Pungo Andongo,
E um sorriso de criança
A Serra de Talamungongo
E o imenso Rio Kwanza

A tua feira, cheia de luz e de graça,
Com marimbas a tocar
E Kissanjes a soar,
É Malanje que passa

MALANJE, terra de esperança
És um instrumento de arte
Repara bem no Kwanza,
Que anda sempre a namorar-te

Da magia do pôr-do-sol contagiante
Das acácias e eufórbias ondulantes
Do cacimbo frio e penetrante
Das hienas, nauseabundas e errantes.

Do chacal, espertalhão e matreiro
Do porco-espinho e da civeta listada
da paka e do porco-formigueiro
e das javas em debandada.

Do sitatunga, dócil e desconfiado,
Da pacaça, da kissema e do facochero imundo
Do golungo e do redunca delicado
Da gunga,o maior antílope do mundo.

Da Baixa de Cassanje, imensurável
Dos hipotragos, tímidos e majestosos
Da grande savana incomparável
Dos assobios de nunces graciosos.

Da toupeira gigante de Culamagia
Do corvo, do cuco e do periquito,
Do alegre canto da cotovia
E do beija-flor tão bonito.

Cavalo-marinho, jibóia e pacaça
Palanca, onça, muitos animais
O Malanjino tem muita raça
E não tem medo dos chacais.

Palancas Gigantes em Kangandala
E no Luando muitas mais
As Quedas de Kalandula
São imponentes demais

As Quedas dos Bem-Casados
E a Baixa de Cassanje
São locais bem apreciados
No Turismo de Malanje

Pedras Negras, N’Gola Kiluange
Milho, ginguba e bom feijão
Lombe, Quela, Soba Cassanjwe
Açúcar, mandioca e algodão

Maboque, jaka e boa manga,
Maxinde, Katepa e Gangassol
Jambo, gajaja, água na sanga
Kanâmbua, Ritondo e Quissol

Funje e kizaka, no luando ou na mesa
Kiabo, kitaba, bombó com mel
Papaia e nêspera pra sobremesa
Ou piquenique no Xandel

Há outras coisas incríveis
Como o Lui de águas salgadas
Suas ostras apetecíveis
Deixam as pessoas pasmadas

Com suas choupas a saltar
Corre o Cuije bem ligeiro
Margens lindas para acampar
E acender um bom braseiro

Da magia dos quimbandas a trabalhar
Com pauzinhos de mubilo acastanhados
Para os maus fluidos enxotar
Deixando os kifumbes assustados.

Carreira-do-tiro, Campo de Aviação    
Cainzuri e Guiné, na grande lista      
São Bairros com tradição  
Basta só seguir a pista.

Capôpa, o Rio da urbe,
Corre, corre sempre sem parar
Quem da sua água bebe
Nunca mais quer abalar


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