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João Carlos Carranca ( Jotacê )

3 de Junho 2008

Tem dias

Estendi a toalha

Estendi a toalha na areia escaldante da praia.
Me deitei de barriga para cima. Como a forma cresceu na área, ficou assim mais campo para o sol se deliciar a me acariciar com os seus raios, até que eu fique com aquela cor que não sei bem nem qual é.
Mas o pescoço e a nuca não têm apoio. Faz parecem é faroleiro num rodopiar de muitos graus a ver tudo o que é possível ver que nem do sítio onde que é que estou a ser acariciado.
Esquecendo a forma do meu corpo eu vou apreciando aqueles que a minha cansada vista deixa ver com mais nitidez. Hum, corpo lindo mais que perfeito… brrr aquele precisa torrar mais ver se se afunda na areia uma quase boa tonelada… aquele ali o sol vai ter de ter muita mira para lhe acertar um raiozinho, e vai ser ao de leve, acho é doença.
Mas é melhor eu ficar só a aproveitar este tempo que existe apenas para eu navegar nas ondas da minha imaginação e ir imaginando o meu futuro que é já daqui a um bocado.

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Um dia, como o de hoje, talvez recomece o que nunca terminamos, talvez me veja como nunca me vi, talvez me conheça como nunca me conheci. Foi mais ou menos assim que eu te disse um dia destes e depois rematei com um afinal de contas hoje é um bom dia para dizer um adeus de chegada.

Mas depois tem dias em que não apetece levantar da cama, nem mesmo só abrir os olhos, assim num morrer de algumas horas. Se isso acontecesse eu sei que os amigos e a família gritariam lágrimas até me mexer e deixasse de estar na minha inanição premeditada. Chamariam médicos e se possível até padres e afins. Para tudo terminar eu teria que dizer nem que seja uma palavra de dor. Mas até lá, ia-me rindo de ver tanta confusão profunda, tanta filosófica explicação.

Tudo só porque há dias que nem apetece levantar da cama nem abrir os olhos.

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3 de Junho 2008

Olho para trás e vejo o caminho percorrido, os anos que passaram, as lágrimas choradas e as gargalhadas ainda audíveis.

Um dia, como o de hoje, talvez recomece o que nunca terminamos, talvez me veja como nunca me vi, talvez me conheça como nunca me conheci.
Olho para trás e por muito que me apeteça odiar a vida só me recordo dos amigos e de lhes estar a ouvir a voz nos silêncios percebíveis.

Um dia, como o de hoje, recordarei tantas vezes como me recordo que jamais esquecerei o que sei das nossas aventuras, passadas, presentes e futuras.

Afinal de contas hoje é um bom dia para dizer um adeus de chegada.

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